Buscando a alfabetização científica nos anos iniciais

Buscando a alfabetização científica nos anos iniciais

Por Jéssica Caroline Paes*

O desafio do ensino de Ciências gira em torno da formação de cidadãos cientificamente alfabetizados, com capacidade de compreender, questionar, atuar e tomar decisões sobre questões científico-tecnológicas presentes na sociedade e em seu cotidiano (CHASSOT, 2003; AULER & DELIZOICOV, 2001).O trabalho ocorreu sob a perspectiva da alfabetização cientifica, ou seja, de proporcionar condições para que atuem na sociedade e no meio em que vivem de maneira crítica e consciente (SASSERON; CARVALHO, 2011).

O ensino de Ciências tem sido amplamente discutido em função das contribuições que fornece na formação cidadã do aluno. Vários autores discorrem sobre o tema e trazem considerações acerca desse ensino e sua aplicabilidade (LORENZETI; DELIZOICOV, 2001; CARVALHO; SASSERON, 2011; CHASSOT, 2003). Além disso, o ensino de Ciências oferece a possibilidade de desenvolver no aluno a capacidade de refletir em favor da vida e tomar decisões de maneira crítica (PAES, 2020). A atuação do estudante, nessa perspectiva, passa a se dar de maneira crítica e reflexiva, permitindo que este exerça seus direitos e deveres no meio em que vive, o que o torna alfabetizado. Para isso, o ensino dessas disciplinas precisa estar vinculado a questões reais e a fatores cotidianos do aluno.

A pesquisa foi realizada em uma abordagem qualitativa, onde os instrumentos de coleta de dados foram a observação dos alunos, questionários, além de outros registros produzidos pelos alunos (LÜDKE E ANDRÉ, 1986). Em um primeiro momento, foram feitas perguntas como: “Qual a importância da água em nossa vida?” “Como é possível consumir água de forma consciente?”, com intuito de buscar os conhecimentos espontâneos dos alunos. Na sequência, os alunos foram convidados a visitar o Rio Tietê. Em seguida, para a realização da atividade experimental, que consistiu na construção de um filtro de água caseiro, foram utilizados materiais de baixo custo que os próprios alunos trouxeram. Ocorreu então a visualização da filtragem da água, onde os alunos participantes desta pesquisa demonstraram o funcionamento do filtro para outros alunos.

Logo após todos os processos serem realizados, houve a aplicação de um questionário com intuito de diagnosticar aprendizagens e possíveis lacunas na atividade experimental. Algumas questões foram elencadas para discussão e reflexão, onde os estudantes foram indagados acerca de questões relativas ao experimento. A partir dos resultados desse trabalho verifica-se as possibilidades de um ensino de Ciências contemplado nos fatores cotidianos do aluno, bem como na busca pela alfabetização científica. É possível afirmar que, embora seja essencial a existência de espaços para atividades práticas, o professor pode oferecer o contato com conhecimentos científicos a partir de uma abordagem simples, porém bem planejada, de modo que favoreça o desenvolvimento crítico dos estudantes frente aos acontecimentos mundiais.

Por meio desta atividade experimental foi possível notar mudanças nas argumentações escritas e orais dos alunos em rodas de conversa e também na produção de textos. A conscientização sobre a utilização da água e do reuso de materiais, além da separação do lixo, corrobora, portanto, a ideia de formar alunos críticos, ativos e capazes de fazer uma leitura do mundo, interferir na sociedade em que vivem e transformá-la em um local cada vez melhor, que deve ser o objetivo do ensino de Ciências. Emerge, portanto, o desenvolvimento de estratégias docentes que visem a formação crítica e consciente do estudando, ao passo que aborda atividades práticas condizentes com o seu cotidiano alinhadas a questões locais e globais que afetam a todos.

*Jéssica Caroline Paes é agente educacional do Programa de Educação Inclusiva da AME

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